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Na hora da partida – O legado de Marcelo

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Na hora da partida – O legado de Marcelo


Durante dez anos, a Presidência da República portuguesa teve um rosto, um estilo e quase uma marca pessoal: Marcelo. Não apenas Marcelo Rebelo de Sousa, professor, comentador e político, mas simplesmente “Marcelo”, o Presidente que transformou a proximidade com os cidadãos numa imagem de marca e que fez da presença constante no espaço público uma forma de exercer o cargo.

Marcelo, o Presidente dos afectos (Imagem IA)

Marcelo, o Presidente dos afectos (Imagem IA)

Ao longo de uma década em Belém, o Presidente construiu uma figura política singular na democracia portuguesa. Ficou conhecido como o “Presidente dos afectos”, um líder que privilegiou o contacto directo com as pessoas, multiplicou visitas pelo país e marcou presença em momentos de crise, desde incêndios devastadores a tempestades e à pandemia de covid-19.

Antes de chegar à Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa já era uma figura familiar para muitos portugueses. Durante anos foi o professor que comentava a actualidade política ao domingo à noite na televisão. Ao assumir o cargo em 2016, manteve esse registo comunicativo, mas transformou-o num estilo presidencial próprio: informal, disponível e omnipresente.

Sem a distância institucional que marcou alguns antecessores, Marcelo cultivou a imagem de um Presidente próximo, capaz de conversar com cidadãos nas ruas, entrar em cafés ou tirar fotografias espontâneas — as famosas “celfies”.

Este estilo contrastou com o do seu antecessor, Aníbal Cavaco Silva, frequentemente associado a uma postura mais austera e distante. Com Marcelo, o Palácio de Belém aproximou-se simbolicamente do quotidiano dos portugueses.

A intensidade marcou também a dimensão diplomática do mandato. Marcelo tornou-se o Presidente português com mais deslocações oficiais ao estrangeiro, realizando cerca de 175 viagens e visitando aproximadamente 60 países.

Entre os destinos mais frequentes estiveram Espanha, França, Brasil, Angola, Cabo Verde, Itália e os Estados Unidos, numa agenda que procurou reforçar a presença de Portugal no espaço lusófono e nas relações transatlânticas.

Internamente, destacou-se igualmente pelo uso recorrente de um dos poderes mais fortes da Presidência: a dissolução do Parlamento, num contexto político marcado por momentos de instabilidade governativa.

O primeiro mandato ficou marcado por uma relação política relativamente estável com o então primeiro-ministro António Costa. Marcelo apoiou a solução governativa à esquerda que surgiu em 2015, num período de cooperação institucional que marcou os primeiros anos do seu mandato.

No segundo mandato, porém, a relação tornou-se mais tensa. Surgiram divergências públicas sobre a continuidade de ministros, a condução de algumas políticas e decisões relacionadas com a gestão da pandemia de covid-19. O Presidente passou a assumir um papel mais crítico e interventivo no debate político.

Se a comunicação foi uma das suas maiores forças, também acabou por se tornar uma fonte de críticas. Marcelo manteve ao longo dos anos uma presença mediática intensa, comentando frequentemente temas políticos, sociais e institucionais.

Para os apoiantes, essa postura representava transparência e proximidade. Para os críticos, porém, a intervenção permanente banalizava o peso institucional da palavra presidencial. O excesso de exposição acabou por gerar algum desgaste público e episódios de comunicação controversa.

Outra marca da presidência foi a atenção dada a causas sociais, como o combate à pobreza ou a situação das pessoas sem-abrigo. Marcelo assumiu publicamente o objectivo de reduzir drasticamente este fenómeno antes do final do mandato.

Contudo, os resultados ficaram aquém das expectativas. O número de pessoas em situação de sem-abrigo acabou por aumentar ao longo da década, reflectindo os limites da intervenção presidencial em problemas estruturais.

Situações semelhantes ocorreram noutras áreas, como a prevenção de incêndios ou as dificuldades do sistema de saúde, temas sobre os quais o Presidente fez alertas públicos, mas onde as soluções concretas permaneceram fora do seu alcance directo.

Entre os momentos mais delicados do mandato destacou-se o chamado caso das gémeas brasileiras, revelado em 2023. A investigação indicou que Nuno Rebelo de Sousa, filho do Presidente, teria pedido ao pai que intercedesse para facilitar o tratamento em Portugal de duas crianças diagnosticadas com Atrofia Muscular Espinhal.

As meninas obtiveram nacionalidade portuguesa e foram tratadas no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com um dos medicamentos mais caros do mundo. O caso levou à criação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar responsabilidades.

Inicialmente, Marcelo afirmou desconhecer a situação. Mais tarde admitiu ter recebido um e-mail do filho e garantiu ter encaminhado a informação para a Procuradoria-Geral da República. O Presidente afirmou ainda ter cortado relações com o filho. Apesar da grande atenção mediática, o episódio acabou por ter consequências políticas limitadas.

Mesmo na recta final do mandato, Marcelo continuou a desafiar algumas tradições do cargo. Antes de deixar o Palácio de Belém, convidou o artista urbano Vhils para realizar o seu retrato oficial.

Foi a primeira vez que um artista associado à arte urbana participou na criação de um retrato presidencial, numa decisão que o próprio descreveu como uma “ideia louca”, apresentada como símbolo da vitalidade da democracia portuguesa.

Ao despedir-se da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que pretende afastar-se da vida política activa. Abdicará da subvenção de ex-Presidente da República, optando apenas pela reforma como professor universitário jubilado e pelos rendimentos de actividade profissional.

Não pretende regressar ao comentário político — actividade que o tornou uma figura pública — e descreveu o período que se segue como o seu “deserto eterno”.

Ainda assim, planeia retomar a filiação no Partido Social Democrata, continuar o trabalho voluntário em cuidados paliativos e dar aulas como professor convidado no ensino básico e secundário, sobretudo sobre História de Portugal, Constituição e literatura portuguesa.

O plano inclui ainda um percurso por escolas do interior do país antes de chegar às grandes cidades, num projecto educativo previsto para durar dois anos.

Entre elogios e críticas, Marcelo Rebelo de Sousa construiu uma presidência singular na história democrática portuguesa. Humanizou a figura do Chefe de Estado, aproximou-se das pessoas e ocupou o espaço público de forma inédita.

Mas essa mesma proximidade trouxe também desgaste, polémicas e a sensação de que, por vezes, a palavra presidencial foi usada em excesso.

No final de uma década em Belém, a imagem que permanece é a de um Presidente permanentemente em movimento — nas ruas, nos aeroportos, nas televisões e nas memórias colectivas de um país que, durante dez anos, aprendeu a chamar o seu Presidente simplesmente de Marcelo.

Opinião: Fernando N. Marques



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𝐄𝐬𝐭𝐚́ 𝐚 𝐜𝐡𝐞𝐠𝐚𝐫 𝐚 𝟒𝟓ª 𝐞𝐝𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐚 𝐅𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐝𝐨 𝐋𝐢𝐯𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐍𝐢𝐬𝐚 De 29 de maio a 1 de j…

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Feira Anual de Vila Nova da Baronia 2026 Já se encontram abertas as inscrições…

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Feira Anual de Vila Nova da Baronia 2026

Já se encontram abertas as inscrições…


📢 Feira Anual de Vila Nova da Baronia 2026

Já se encontram abertas as inscrições para Expositores, Bares e Tasquinhas na Feira Anual de Vila Nova da Baronia, que decorrerá de 17 a 19 de julho de 2026.

📝 As inscrições podem ser efetuadas até ao dia 12 de junho, através dos seguintes meios:

➡️ Online: https://sol.cm-alvito.pt/ (clicar em Autenticação / Registar )
➡️ E-mail: feira@cm-alvito.pt
➡️ Presencialmente no Balcão Único – 📍 Largo do Relógio 13, 7920-022 Alvito

📝 Normas e Ficha de inscrição em – https://www.cm-alvito.pt/pt/25121/expobaronia-2026.aspx

Contamos com a sua participação! 🎪



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A Câmara Municipal de Évora está a desenvolver uma campanha de sensibilização dirigida à remoção de veículos abandonados na via pública, reforçando o compromisso do Município com a segurança, a qualidade do espaço urbano e a preservação ambiental.

No âmbito desta iniciativa, o Município disponibiliza gratuitamente o serviço de remoção e encaminhamento para abate de veículos em fim de vida que não apresentem condições de circulação e permaneçam abandonados no espaço público.

A autarquia apela à colaboração dos munícipes para que procedam voluntariamente à entrega destes veículos, evitando a degradação da paisagem urbana, riscos ambientais e ocupação indevida do espaço público. Salienta-se que é obrigatório o veículo estar livre de ónus ou encargos.

Os proprietários que pretendam aderir a este serviço devem preencher a Declaração de Abandono de Viatura, disponível no portal municipal Câmara Municipal de Évora, e entregá-la presencialmente no Balcão Único do Município ou através de correio registado com aviso de receção, para Praça do Sertório, 7004-506 Évora.

O pedido deverá ser acompanhado dos seguintes documentos:

▪️Declaração de Abandono da Viatura;
▪️Original do Documento Único Automóvel;
▪️Fotocópia do documento de identificação do proprietário.

Com esta campanha, a Câmara Municipal de Évora pretende incentivar comportamentos ambientalmente responsáveis e contribuir para uma cidade mais limpa, segura e sustentável.

Mas informações em: https://www.cm-evora.pt/municipe/avisos-e-outras-informacoes/remocao-de-veiculos-da-via-publica/



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Estão abertas as inscrições para a 4ª edição do Erasmus Campus. Se tens entre…

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Estão abertas as inscrições para a 4ª edição do Erasmus Campus. 

Se tens entre…


📣 Estão abertas as inscrições para a 4ª edição do Erasmus Campus.

Se tens entre 16 e 26 anos, podes participar numa academia de verão dinâmica e participativa – O Bootcamp da Inclusão e Igualdade.

Ao longo de quatro dias, vais poder participar em workshops, debates e experiências práticas, focadas em temas-chave, como inclusão e igualdade.

✅ Participação gratuita
✅ Inclui alojamento, refeições e transporte

🗓 Prazo de candidatura: até 5 de junho

🔗 Mais informação e inscrições em: https://erasmusmais.pt/destaques/erasmuscampus/

A iniciativa é promovida pelo Instituto para o Ensino Superior, I.P. e pela Comissão Comemorativa 50 Anos 25 Abril, com o apoio do Município de Marvão, da Associação de Municípios da Serra de São Mamede e do Politécnico de Portalegre.

#ErasmusCampus2026



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