Cultura
FEST 2026 arrancou em Espinho com forte reflexão sobre o impacto da política na cultura
A 22.ª edição do FEST – Festival Novos Realizadores | Novo Cinema teve o seu início oficial no auditório do Centro Multimeios de Espinho. O evento de abertura ficou marcado pela antestreia nacional de “Yellow Letters”, longa-metragem do realizador turco İlker Çatak, recentemente galardoada com o Urso de Ouro na Berlinale 2026. A obra mergulha na realidade da pressão política e da censura sobre os artistas, servindo de mote para o tom reflexivo que dominou os discursos inaugurais.
Na cerimónia de abertura, a direção do festival fez questão de sublinhar a ligação contemporânea cada vez mais estreita entre as dinâmicas políticas globais e os grandes eventos culturais e desportivos internacionais, apontando como exemplos práticos o Campeonato do Mundo de futebol a decorrer e a última edição do Festival da Eurovisão. De acordo com a organização, estas manifestações de cariz cultural ou desportivo tornaram-se, de forma inequívoca, palcos de posicionamento e protesto político estrutural.
Presente no arranque do festival, André Guimarães, vereador da Câmara Municipal de Espinho, destacou a relevância estratégica e a maturidade conceptual que o evento alcançou no panorama nacional e internacional.
«O FEST é muito mais do que uma programação de cinema. É uma plataforma de descoberta de novos talentos, de formação, de partilha e de afirmação artística. A edição deste ano apresenta uma programação forte, diversa e contemporânea, marcada por filmes que refletem algumas das inquietações do nosso tempo como a liberdade artística, a censura, a pressão política, a vigilância, a burocracia, o envelhecimento, a fragilidade social e a condição humana.»
Até ao dia 28 de junho, Espinho será o ponto de encontro do novo cinema mundial, dividindo-se entre grandes exibições e as prestigiadas sessões de formação do Training Ground, que este ano contam com o realizador bósnio Danis Tanović, vencedor de um Óscar por “No Man’s Land”.
No plano competitivo, além da seleção de dez longas-metragens para o Lince de Ouro, o festival coloca as curtas-metragens em plano de evidência. No Grande Prémio Nacional, destacam-se 22 obras, entre as quais “A Hora do Chico!”, de Rafael Sá Carneiro e João Severo, que aborda o Estado Novo através de um formato infantil. Já na disputa do Lince de Prata de Ficção e Documentário surgem propostas fortes como “Hyena”, de Altay Ulan Yang, e “Loynes”, de Dorian Jespers, às quais se juntam as 13 produções nomeadas na categoria de Animação. O festival contempla ainda uma vasta retrospetiva de homenagem ao histórico realizador polaco Andrzej Wajda.
Fotos: FEST