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Inventário micológico em Lousada identifica 196 espécies de fungos, com quatro novos registos para Portugal

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O Município de Lousada promoveu, durante o ano de 2024, um inventário micológico no concelho que permitiu identificar 196 taxa (espécies e subespécies), distribuídos por três grupos ecológicos principais: sapróbios (111 espécies, que se alimentam de matéria orgânica morta), micorrízicos (46, que estabelecem simbioses benéficas com raízes de plantas) e parasitas (17). O levantamento foi efetuado em 18 áreas representativas do mosaico agroflorestal local.

Este estudo resultou em 82 novos registos para o concelho, incluindo espécies raras e algumas com relevância nacional. Foram também detetadas seis espécies possivelmente exóticas, das quais três confirmadas como invasoras, evidenciando a necessidade de monitorização ativa.

Quatro novas espécies identificadas pela primeira vez em Portugal

Foram identificadas quatro espécies nunca antes registadas em território português, confirmadas molecularmente e comprovadamente novas para o país:

  • Cortinarius pilatii – identificada na Mata de Vilar, associada a estados de amadurecimento florestal
  • Alnicola citrinella – identificada na Boca da Ribeira, vale da Ribeira de Sá e no Rio de Porto; estritamente associada a amieiros (Alnus spp.) , o que lhe confere vulnerabilidade face à degradação das galerias ripícolas
  • Calocybe ionides – identificada no vale da Ribeira de Sá
  • Cortinarius helvelloides – identificada no Rio de Porto

Espécies exóticas invasoras em expansão

Entre as espécies exóticas em franca expansão, destacam-se:

  • Favolaschia claudopus – fungo saproxílico (alimenta-se de madeira morta). Chegou à Europa via Itália (2002), foi registado na Península Ibérica em 2006 e em Portugal em 2013 (Minho). A sua presença em Lousada confirma a progressão para o noroeste do país.
  • Ophiocordyceps humbertii – parasita de vespas do género Polistes, com biologia peculiar que inclui manipulação comportamental do hospedeiro para favorecer a dispersão dos esporos.
  • Pleuroflammula praestans e Clathrus archeri – ambas sapróbias, associadas a substratos ricos em matéria orgânica.
  • Stropharia rugosoannulata – frequentemente cultivada para consumo e remediação de solos, surge aqui como espécie escapada de cultivo, com risco de naturalização.

Espécies simbióticas raras

Foi também identificada Cantharellus romagnesianus, um fungo micorrízico mediterrânico, reforçando a importância dos carvalhais locais para a manutenção destas associações ecológicas.

Implicações ecológicas

As descobertas têm implicações ecológicas relevantes. A expansão de espécies exóticas pode alterar processos de decomposição e interações tróficas, enquanto a presença de simbiontes raros sublinha a necessidade de conservar habitats ripícolas e florestais autóctones.

Este inventário constitui um passo importante para o conhecimento da micobiota de Lousada e para a definição de estratégias de conservação, num contexto em que os fungos permanecem um grupo taxonómico pouco estudado, mas crucial para a funcionalidade dos ecossistemas.

Fotografia: João Silva

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